EMMA – Jane Austen

Ilustração de Phillip Gough de 1948
Dizem que os leitores de Emma se dividem em dois grupos, os que amam e os que odeiam a personagem principal. Não me enquadro em nenhum dos dois, a personagem em diversos momentos se mostra muito infantil e esse é o ponto da história, a narrativa excelente permite que você mantenha um vínculo com Emma durante toda a leitura. Ela é uma mulher inglesa privilegiada e a principal figura da vila de Highbury com apenas 21 anos, e assim conhece pouco sobre si mesma e os outros, mas obviamente se considera conhecedora de ambos.
“Nobody, who has not been in the interior of a family, can say what the difficulties of any individual of that family may be.”
(Ninguém, que não esteve no interior de uma família, pode dizer quais são as dificuldades de qualquer indivíduo dessa família.)
Diferente das outras heroínas de Jane Austen, Emma não tem preocupações financeiras ou de qualquer outra natureza. Ela não é uma pessoa romântica, pelo menos não em relação a si própria, não tem interesse em casar ou mesmo se apaixonar. Apesar de ter uma família amorosa, vizinhos mais do que corteses e amigos, o cuidado da casa e a ajuda para com a paróquia, ainda sim a vida de Emma é um pouco sem propósito. Sobra-lhe tempo ocioso, falta para ela pessoas de sua idade e status, sem contar a vida calma e tranquila da vila. Sua maior preocupação são os cuidados frequentes com seu pai, um bom homem preocupado exageradamente com a saúde de todos.
“Were I to fall in love, indeed, it would be a different thing; but I have never been in love; it is not my way, or my nature; and I do not think I ever shall.”
(Claro que se me apaixonasse a coisa seria muito distinta; mas eu nunca me apaixonei; não vai com minha maneira de ser ou com meu caráter, e acredito que nunca me apaixonarei)
Emma é linda, inteligente, articulada e rica. Mas é principalmente mimada, o que faz com que ela pense muito bem de si mesma, e apesar da pouca idade se considera a maior entendedora dos desejos e relações humanas. Ela imagina que tudo é como ela pensa e deseja, e assim entende os acontecimentos apenas conforme eles se enquadram naquilo que foi previamente pensado por ela. Não percebe o perigo do poder que tem de influenciar os outros, até mesmo as vezes pensa que é seu dever, também não leva em consideração o risco de enganar-se quanto as intenções alheias.
“Badly done, Emma!”
(Fez você muito mal, Emma!)
Ela é uma heroína humana, aprendendo a ver o mundo fora do seu convício intimo e obviamente cometendo erros no caminho. Todas as suas ações são executadas com as melhores das intenções e ela reconhece todo o mal feito. Essa é a mensagem que me vem a mente, nunca fique confiante de seu próprio entendimento, reflita e aprenda todo dia com seus atos. Emma é um boa pessoa, sempre disposta a pensar nos outros, a narrativa brilhante e leve faz com que o leitor se mantenha engajado com a personagem, mesmo com seus deslizes. Jane Austen usa a ironia para ridicularizar a classe alta de seu tempo e apresenta um retrato vívido da vida dessas mulheres.
“It’s such a happiness when good people get together.”
(É uma felicidade quando boas pessoas ficam juntas)
SINOPSE
Os verdadeiros males de Emma eram o poder de escolher seu próprio caminho e uma disposição para pensar muito bem de si mesma. Essa novela clássica de Jane Austen começa com Emma Woodhouse, de vinte anos de idade, presidindo alegremente a ordem social da aldeia de Highbury, completamente convencida de sua capacidade e de seu direito de administrar a vida de outras pessoas, tudo para o bem dos outros, naturalmente.
Sua intromissão bem-intencionada nos assuntos da reservada Jane Fairfax, o belo Frank Churchill, a tola Harriet Smith e o jovem vigário Mr. Elton, terminam com essas suas convicções. Através de uma deslumbrante galeria de personagens, alguns pretensiosos ou ridículos, outros admiráveis e emocionantes, todos plenamente verdadeiros. Jane Austen experimenta habilmente e lindamente as mais profundas ironias do amor e da vida.
INFORMAÇÕES
Gênero: Romance
Publicação: Dezembro de 1815
Original: Inglês
Páginas: 460 variando conforme publicação
SOBRE A AUTORA
JANE AUSTEN (1775-1817) é considerada uma das maiores romancistas da literatura inglesa do século XIX. Nasceu em Steventon, Hampshire, na zona rural da Inglaterra, era a segunda menina entre 7 irmãos, filhos de um reverendo anglicano. Foi enviada para um colégio interno com 8 anos de idade, juntamente com sua irmã Cassandra, sua melhor amiga por toda a vida. Aos 17 anos escreveu sua primeira obra “Lady Susan”.
Em 1797 já havia escrito mais dois romances, “Razão e Sensibilidade” e “Orgulho e Preconceito”, os textos foram oferecidos por seu pai a um editor, mas foram rejeitados. Suas obras anteriormente recusadas pela editora, só foram publicadas em 1811 e 1813 respectivamente. Possuidora de um grande poder de observação do cotidiano e dos ritos sociais conseguiu reuniu material suficiente para dar vida aos personagens de suas obras. Sempre com uma percepção psicológica profunda e muita ironia em suas narrativas. Publicou todas as suas obras anonimamente, a autoria só foi revelada por seu sobrinho em uma biografia pulicada em 1869.
OUTROS LIVROS DA AUTORA
- Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility) – 1811
- Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) – 1813
- Mansfield Park – 1814
- Northanger Abbey – 1817
- Persuasão (Persuasion) – 1817
LINKS
http://www.strangegirl.org/emma/gallery/v/gough/